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Cruz Vermelha do Quênia adota a blockchain para projeto de economia informal

novembro 26, 2019 By Soraia Barbosa

As sociedades da Cruz Vermelha do Quênia, Dinamarca e Noruega criaram um esforço de dois anos para ajudar a combater a necessidade de fundos e crédito para comprar bens e serviços em economias problemáticas, com foco no Quênia.

Atualmente, o processo de escambo é o método mais utilizado na economia do país, e as transações são registradas em papel, de acordo com um relatório da Reuters.

Nas pobres comunidades rurais e favelas do Quênia, os moradores têm muito a vender, de tomates cultivados em casa ou até mesmo a mão de obra para o campo ou ensinando crianças, mas poucas pessoas têm dinheiro suficiente para comprar os bens e serviços, reduzindo o incentivo para produzir mais.

O escambo trabalha para algumas trocas, mas aí surge o problema de falta de gerenciamento, onde é difícil você saber quem tem o que e o que cada um deve ao outro. O mesmo vale para os grupos de poupança e empréstimos das aldeias, onde as transações são geralmente registradas em tiras de papel e mantidas em uma caixa trancada.

Então, para tentar melhorar as condições dessa economia em zonas de risco, as entidades da Cruz Vermelha lançaram nesta terça-feira um esforço de dois anos para ajudar a resolver essa falta de dinheiro, implantando “moedas locais” apoiadas pela tecnologia de blockchain para facilitar o comércio nas comunidades e estimular a atividade econômica.

O sistema funciona como o popular sistema de transferência de dinheiro móvel M-Pesa do Quênia, mas os usuários não precisam ter xelins quenianos, disse Adam Bornstein, que trabalha no setor de financiamento alternativo para a Cruz Vermelha Dinamarquesa.

O esforço de dois anos incluirá o uso de moedas locais suportadas pela tecnologia blockchain. Quase que uma tokenização dessas moedas locais. A esperança é que esse processo leve a uma melhora na atividade econômica. Segundo o relatório, o objetivo do projeto é promover a utilização de US$1 bilhão por ano em ajuda prestada nesses países.

O processo já foi testado na Etiópia e no Quênia e mostrou sucesso nas comunidades carentes. Ele envolve o uso de um sistema de créditos. O procedimento já estimulou as economias das comunidades pobres, permitindo que os créditos criados a partir de infusões de trabalho, vendas ou ajuda fossem negociados várias vezes e gastos localmente

 

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Paula Gil, consultora humanitária de Genebra, disse que a tecnologia pode provocar uma revolução na prestação de ajuda.

“Este é o futuro”, disse ela à Thomson Reuters Foundation, acrescentando que “provavelmente é o único uso verdadeiro da blockchain para o bem.”

Will Ruddick, fundador da Grassroots Economics, uma fundação que desenvolve moedas comunitárias, inclusive para o projeto da Cruz Vermelha, disse que os sistemas de troca apoiados em blockchain podem remodelar a maneira como os gastos com desenvolvimento e construção de resiliência são direcionados ao redor do mundo.

O sistema “permite que 25 mulheres com telefones de recurso (simples) criem sua própria casa de crédito e poupança usando sistemas totalmente automatizados”, explicou Will.

O projeto também é relativamente barato de ser mantido, com cerca de US$40.000 por ano para servidores e suporte para cobrir todo o território do Quênia. Para a implementação inicial, já foi realizado mais de US$1 milhão em financiamento inicial da Noruega e de outros doadores.

Adam Bornstein, que trabalha para a Cruz Vermelha Dinamarquesa, compartilhou no relatório da Reuters que nem todos estão satisfeitos com o esforço. Por exemplo, vários bancos no Quênia estão preocupados com o fato de as ofertas de crédito levarem a uma comunidade mais sofisticada, o que prejudicará a necessidade de empréstimos.

Caso isso realmente aconteça, então a blockchain terá apenas cumprido a sua missão inicial de quando foi desenvolvida, ser uma tecnologia disruptiva e que ajuda aos que não se beneficiam com o sistema bancário.

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