Opinião: Porque muitos comentaristas de economia não sabem o que é Bitcoin

Na última segunda (02/10/2017), o comentarista de , Samy Dana, publicou em sua coluna no jornal O Globo, um artigo intitulado “Mania bitcoin: mais uma bolha?” (acesse o PDF aqui).

Samy afirmou que o CEO do JPMorgan classificou a como fraude e que este demitiria qualquer funcionário que comprasse bitcoin. O CEO só esqueceu que o JPMorgan, na mesma semana, andou comprando bitcoin no mercado para clientes. Aliás, convenhamos, pedir para que o CEO de um dos maiores bancos do mundo comente sobre o bitcoin, leia-se, uma tecnologia que visa desbancarizar/descentralizar o sistema financeiro, é a mesma coisa que pedir para um taxista falar/comentar sobre o Uber.

Além disso, outros grandes bancos, já estudam entrar no . É o caso, por exemplo, do Goldman Sachs e do Avanza Bank, banco Suíço fundado em 1999. Igualmente, a Diretora do FMI, Christine Lagarde, defendeu, recentemente, que as podem, com o tempo, ser adotadas por países com câmbio instável ou instituições domésticas fracas

Samy continua o texto explicando a teoria da formação de bolhas econômicas, porém, convém lembrar que o mercado de criptomoedas é bem diferente do exemplo dado no artigo (datado de 1630), uma vez que o valor do bitcoin é suportado (exemplificadamente) pela oferta e demanda da moeda, pela tecnologia criptográfica envolvida no protocolo e pelo controle contra fraudes que a Blockchain proporciona (leia-se, transparência que o sistema bancário muitas vezes não tem). Características estas que estão muito longe do tradicional mercado de capitais.

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Ademais, após alguns anos lendo sobre o assunto, relembro algumas matérias que já circularam pela grande mídia: (i) em 2013, o G1 publicou um texto da France Presse sobre a rápida valorização do bitcoin, no meio do texto, há a menção de que algumas pessoas tinham receio do nascimento de uma nova bolha financeira; (ii) no mesmo ano, a Folha de SP afirmou que o bitcoin vivia uma bolha; e (iii) em 2014, o jornal Gazeta do Povo publicou comentários de Samy Dana afirmando que “a possibilidade de bolha [no bitcoin] é enorme”.

Faço uma pausa, para recordar uma frase citada Robert Szczerba: “Prever o futuro é fácil…difícil é estar certo no final”. Szczerba publicou um artigo na Forbes relembrando algumas das previsões sobre novas tecnologia ao longo da história recente da humanidade, e elencou as 15 preferidas dele (transcrevo algumas):

“O cavalo está aqui para ficar, mas o automóvel é apenas uma novidade – uma moda”. – Presidente do Michigan Savings Bank aconselhando o advogado de Henry Ford, Horace Rackham, a não investir na Ford Motor Company.

“A televisão não será capaz de segurar qualquer mercado após os primeiros seis meses. As pessoas logo se cansarão de olhar para uma caixa de madeira compensada todas as noites”. – Darryl Zanuck, 20th Century Fox.

“Todo mundo sempre me pergunta quando a Apple vai lançar um celular. Minha resposta é:” Provavelmente nunca.” – David Pogue, The New York Times.

“Não há chance do iPhone ter uma participação de mercado significativa” – Steve Ballmer, CEO da Microsoft.

Voltando ao assunto, Samy Dana termina o texto com a velha discussão sobre o lastro do bitcoin: “A criptomoeda não é vinculada à economia de nenhum país, nem é regulada por algum . As transações são anônimas, o que facilita seu uso na lavagem de dinheiro”.

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Samy acaba cometendo o mesmo erro que muitos economistas, ao comentar sobre o bitcoin, incorrem. Sem sombra de dúvidas, mesmo sem querer, muitas pessoas explicam o bitcoin como uma moeda digital e, por ser uma moeda, deveria ter um lastro ou .

Assim, os economistas tentam enquadrar o bitcoin nas definições clássicas de moeda (ou verificar se o bitcoin tem as clássicas de moeda), que são: reserva de valor, meio de troca e unidade de conta.

Agora, o fato de o bitcoin não possuir todas as propriedades de uma moeda, não significa que ela não possa ser um bom investimento[1]. Como disse anteriormente, quem determina o valor atual do bitcoin são outras outras características que estão por de trás do protocolo.

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Mas por que o bitcoin é tão demandando assim? Este é o papel deste autor, juntamente com todos os outros do Portal; mostrar todas as possibilidades que o protocolo do bitcoin (enquanto tecnologia) trouxe para a vida das pessoas, igualmente, como essa tecnologia está mudando a forma das pessoas transacionarem valores.

Por fim, comentar que as transações facilitam a lavagem de dinheiro, é meio que esquecer todos os casos que vemos na mídia dia após dia envolvendo doleiros, políticos e empresários. Você ouviu alguém falar em bitcoin nesses casos?

[1] Por exemplo, suponhamos que em 2014, quando o Samy Dana teceu seus comentários para o jornal Gazeta do Povo, ele tivesse comprando R$ 1.000,00 em bitcoin. Hoje, ele teria R$ 9.040,00 (na cotação média do Brasil em 02/10/2017).

 


Autor: José Domingues da Fonseca Neto

Advogado, atua na área de direito societário e tributário, escreve para o Guia do Bitcoin sempre que pode.

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1 Comente
  • Daniel Francis

    Depois do banimento do lastros em metais, o lastro das moedas estatais atuais são obscuros, tanto que quando acontece a crises, logo proíbem ou restringem a retirada de dinheiro das contas bancárias, (como a Grécia e Chipre já fizeram) porque a maioria de todo o dinheiro é falso. Todo aquele papo de “lastro em títulos”, lastro naquilo etc, caem por terra.

    O lastro do Bitcoin está na sua quantidade programa de 21 milhões,
    o que garante a sua escassez, ainda que atingida apenas em 2140.

  • Gilson Marques

    Muito q criticam o bitcoin estão falando pela boca dos grandes conglomerados financeiros. Mas por trás vão lá e os compram na melhor oportunidade que aparece.

  • Emerson Dias

    Se a Recita Federal reconhece o Biticoin como um Ativo, a maior dificuldade que eu vejo é que as pessoas não sabem como declarar o lucro obtido com a compra de Biticoin ou alticoins. Acredito que uma matéria sobre isso seria de grande valor.