Opinião: por que analistas gráficos, às vezes, divergem tanto entre si?

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A delicada proposta deste artigo é fazer com que o público leigo entenda os prováveis motivos pelos quais alguns analistas tenham divergências bastante acentuadas entre seus colegas de profissão. Se a análise gráfica se baseia em estudos não opinativos, mas apenas baseada no passado do ativo e seus padrões temporais e atemporais, por que, então, tantos traders parecem falar línguas diferentes? Será mesmo que o conhecimento é, de fato, tão pulverizado assim?

A bem da verdade, faz-se necessário explicar superficialmente do que se trata a análise técnica.

Em 1884, o pai da análise técnica, Charles Henry Dow, desenvolveu a Teoria de Dow, a qual tem como objetivo analisar padrões de tendências, volume negociado e cálculo das médias dos preços negociados no passado. No século XVIII, o japonês Munehisa Honma supostamente criou o padrão gráfico de candlestick (vela), o mais utilizado por traders ao redor do mundo. Através desta ferramenta, era possível operar bolsa de arroz na cidade de Osaka, um dos principais fortes econômicos da cidade à época.

Hoje, ferramentas gráficas são bastante populares e fornecidas por grande parte das corretoras de criptomoedas sem qualquer custo adicional. No passado, técnicas como Tape Reading (leitura em fita de velocidade e volume de negociações) eram bastante comuns e mais caras do que hoje.

A análise gráfica como a conhecemos hoje apenas começou a se popularizar a partir da década de 1980, ainda que não seja o único mecanismo de análise técnica disponível no mercado.

Além da análise tradicional oriunda da Teoria de Dow, associada à análise gráfica disponibilizada pelos candlesticks, podemos contar com uma infinidade de indicadores distintos, responsáveis por alertar o operador se há ou não opções favoráveis de entrada ou de saída. Entre os principais indicadores utilizados, temos as Médias Móveis Simples (SMA) e Exponenciais (EMA), Bandas Bollinger, Moving Average Convergence / Divergence (MACD), Volume, Fibonacci, Canais Donchian, Ondas de Chaikin, Estocástico, OBV, entre muitos outros.

Nem sempre os indicadores realizam leituras convergentes entre si, e é a partir deste detalhe que muitas divergências técnicas podem surgir. A análise gráfica, grosso modo, é bastante dependente do nível de conhecimento do operador no que se refere à utilização dos indicadores e, sobretudo, pelo setup (conjunto) de indicadores por ele comumente utilizado para seus estudos.

Arthur Heyes, CEO da corretora Bitmex, acredita que o Bitcoin pode cair até 2.000 USD e manter tendência de baixa por mais um ano e meio. Caso o ativo alcance valor tão baixo, sua mineração se tornaria absolutamente inviável em grande parte das localizações onde as maiores mineradoras estão localizadas. O resultado catastrófico de uma queda tão acentuada levaria muitos mineradores a desligar suas máquinas, a fim de mitigar prejuízos com custos de energia elétrica, funcionários etc.

O lendário tradermasterluc“, que acertou diversas análises arriscadas em meados de 2012/2013 nos preços do Bitcoin, acredita, assim como as análises publicadas no Guia do Bitcoin, que o movimento de baixa está chegando ao fim e que é possível que o ativo alcance aproximadamente 110.000 USD até o final do ano que vem. Considerando o atual preço médio do Bitcoin (6400 USD), poderia haver valorização de até 1.800% em 14 meses. Existem sinais claros de que o mercado não consegue superar o forte suporte comprador em 6000 USD e a lateralização dos preços é visível no longo prazo:

Conforme podemos verificar nos triângulos descendentes de 2013 a 2015, o mesmo padrão se repetiu no Bitcoin de 2017 até os dias atuais. Em ambos os casos, houveram várias tentativas de rompimento da resistência compradora à base do triângulo, sem sucesso. A “ponta” do atual triângulo bate precisamente sobre a LTA no gráfico semanal/mensal. Chaikin chegou ao seu marco zero, o que nos pode indicar enfraquecimento da força vendedora. As Zonas Temporais de Fibonacci sinalizam os pontos de pump e crash nos preços do ativo nos últimos sete anos de forma precisa.

Se nos basearmos tão somente em padrões de médias móveis, de fato, as coisas não parecerão tão otimistas. Normalmente não é interessante basear seus estudos dentro de apenas um ou dois espectros indicadores, mas de um conjunto convergente e organizado dos mesmos.

A responsabilidade de se lançar “bombas” no mercado é redobrada quando o algoz é co-fundador de uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo.

Dependendo do conjunto de indicadores utilizados pelos operadores, além do espectro pessoal de cada um (seja conservador, seja agressivo), as projeções finais podem ser bastante divergentes, ainda que as ferramentas, em tese, tenham um padrão de utilização.

Rodrigo Cohen, operador de mercado desde o início da década de 2000, realiza entradas e saídas relevando as sombras superiores e inferiores dos boxes formados pelo gráfico Renko; seu colega de profissão, André Moraes, afirma trabalhar com muito mais solidez sem a necessidade de exibir sombras nos boxes. Em síntese: a priori, a melhor forma de operar é aquela que lhe garante mais resultados dentro dos seus objetivos. Não há um consenso geral no que se refere à utilização de muitos gráficos e indicadores.

Se o operador está com problemas para acertar suas operações com seu setup, é possível que, através da visão distinta de outros traders, consiga remodelá-lo por completo, tornando-o ainda mais preciso para suas operações intraday ou de longo prazo. Não há uma “receita de bolo” no que se refere às operações de bolsa. Sobretudo de criptomoedas. Uma vez que suas análises tendem a trazer muito mais lucros que prejuízos, boa notícia: pode não ser o que muitos fariam, mas, se estivesse errado, não funcionaria. Simples.

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