Deutsche Bank: “Sr. Watanabe” está por trás da alta recente do bitcoin

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Criminosos, traficantes de drogas e golpistas não são o principal motor para os ganhos recentes do bitcoin, mas sim os homens comuns japoneses. Essa é a teoria apresentada por analistas do Deutsche Bank. Segundo eles, investidores japoneses na casa dos 30/40 anos, que historicamente preferiam negociar com moedas reais, como o iene e o dólar, agora estão apostando no bitcoin.

Embora a expressão “senhora Watanabe” geralmente se refira a pequenos investidores de varejo do (como donas de casa, casais aposentados e viúvas), o Deutsche Bank diz que é o “senhor Watanabe” que está puxando os preços do bitcoin para cima, geralmente tomando grandes empréstimos para conseguir investir.

“Os investidores de varejo do Japão estão trocando as operações cambiais tradicionais por criptomoedas. Com poucos investidores saindo (do de bitcoin) e um influxo firme de novos operadores, a base de clientes tem crescido”, diz o banco alemão, em relatório.

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Milhões de investidores individuais da Ásia entraram no mercado de bitcoin este ano. A atratividade se dá pelo fato de a criptomoeda ser uma alternativa para as divisas tradicionais, com operações que dispensam a intermediação de bancos ou governos.

O bitcoin tem sido particularmente atrativo para investidores do Japão – terceira economia do mundo – porque o iene é uma das moedas mais negociadas globalmente e o país tem uma tradição de sediar empresas de tecnologia. A criptomoeda permite aliar esses dois fatores.

O Japão atualmente responde por quase 40% do negociado no mercado de bitcoins, segundo a provedora de dados Coinhills. As autoridades reguladoras do país têm tido uma postura amigável em relação ao tema, diferentemente do que acontece na China, por exemplo, onde corretoras de criptomoedas foram banidas e, as chamadas ofertas iniciais de moeda (ICO, na sigla em inglês), proibidas.

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Este ano as autoridades japonesas reconheceram o bitcoin como um meio de pagamento válido e criaram novas regras para a negociação, como exigências mínimas de capital, contas separadas para os consumidores e monitoração de potenciais atividades criminosas.

“Parte dos investidores japoneses gosta de volatilidade. O estilo de investimentos no país é formado por uma combinação de poupança, que tem baixo risco e baixo retorno, com investimentos de alto risco e alto retorno”, diz o relatório do Deutsche Bank.

O banco alemão afirma que, nos mercados globais de câmbio, os investidores japoneses respondem por quase metade das operações chamadas de “negociação com margens” – quando se usa recursos emprestados da corretora para negociar com um ativo financeiro, que por sua vez faz parte do colateral do empréstimo tomado.

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O problema é que essa estratégia pode ser ainda mais arriscada com as criptomoedas. “O risco de ter perdas superiores à margem é maior do que em uma operação normal de câmbio, devido à volatilidade intraday. Assim, acreditamos que as corretoras também enfrentam um risco maior de quebrar”, diz o Deutsche Bank.

Reportagem disponibilizada no jornal Valor Econômico.