Opinião: você ganha mais dinheiro não dependendo dos outros

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Que as pessoas andam sem tempo para respirar, todos já sabem. Encontrar uma brecha na agenda para jantar com a esposa, ir ao parque com os filhos ou tomar sua cerveja na paz do lar está cada vez mais difícil. Por conta disso, curiosos buscam as mais variadas formas de investimento para complementar sua renda. Em certos casos, devido à completa escassez de tempo e/ou de interesse, algumas famílias literalmente dependem de terceiros para investir.

Os mais conservadores buscam os meios tradicionais, como fundos de renda fixa (LCA, LCI, Tesouro Direto, Letra Imobiliária etc), enquanto outros mais agressivos, como a maioria dos leitores desta página, procuram realizar seus investimentos através do mercado mais arriscado, volátil e lucrativo de todos: o de criptomoedas. Em sua grande maioria, os usuários arriscam comprar e vender nas principais corretoras do mercado, quase sempre sem nenhum conhecimento técnico sobre o ofício.

Não é incomum encontrar indivíduos que tenham amargado pesadas perdas recentes com o ou mesmo com criptomoedas muito mais voláteis. A título de exemplo, citarei a Nano, famosa em território tupiniquim. Guilherme Rennó, apresentador do canal Criptomaníacos, publicou há meses atrás sobre uma perda que teve com a criptomoeda de aproximadamente R$ 285 mil. Não menos rotineiros são os casos de alunos meus que vieram buscar conhecimento após perder grandes economias através do investimento em renda variável. A consistência deve ser a principal meta, não os lucros exorbitantes.

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No entanto, as perdas não ocorrem tão somente quando você investe de forma errada e acompanha a desvalorização de seu token; você pode estar investindo em algum lugar que não dá tanto valor ao seu dinheiro como você.

Realizei palestra sobre trading e arbitragem no dia 14 de setembro na BlockCrypto, em São Paulo. Em geral, palestras trabalham de forma superficial os assuntos; fiz questão de fazer diferente e dei um “aulão” sobre arbitragem associada à análise técnica. Quando as pessoas descobriram o quão simples é fazer arbitragem, alguns que lá investiam em robôs de alta frequência para arbitrar pensaram duas vezes, retiraram seus fundos das mãos de terceiros e começaram a trabalhar por conta própria.

Sendo assim, uma vez conhecido o caminho das pedras, os participantes foram capazes de comprovar que arbitrar por conta própria é muito mais lucrativo e seguro. Uma vez que os cuidados com segurança sejam tomados (ter um bom antivírus instalado, um sistema operacional original e atualizado), as chances de problemas são quase que reduzidas a zero. Diferentemente de caso recente em que uma empresa responsável por arbitragem automatizada teve sua base de usuários completamente vazada, causando diversos constrangimentos aos clientes.

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O problema mais grave, no entanto, reside na busca por empresas que prometem lucro fácil e fixo em mercado variável: os famosos esquemas de pirâmide financeira. Minerworld, AirBit Club e AWS Mining são exemplos precisos de tudo aquilo que o mercado descentralizado repudia. Pessoas incautas, desesperadas por resultados rápidos são as primeiras a investirem todas as suas economias de forma irresponsável em empresas cujo histórico não possui qualquer comprovação de transparência ou licitude. Brasileiros infelizmente gostam do caminho mais fácil. E ele quase sempre é o mais equivocado.

Mesmo empresas lícitas e bem intencionadas são passíveis de falhas graves de segurança que, a qualquer momento, podem ser explorada por invasores. Trata-se de um mercado completamente digital, onde todo o cuidado é pouco e toda a responsabilidade em caso de revezes é, acima de tudo, sua.

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A corretora japonesa Zaif foi invadida em meados de setembro deste ano, amargando prejuízo de US$ 59 milhões. Ainda que a principal premissa de uma exchange seja garantir a segurança dos usuários, muitos clientes as utilizam como carteira. Nestes casos, que não são tão raros, temos de refletir para além da responsabilidade da empresa e nos projetar à premissa inicial das criptomoedas: a segurança de seus fundos pode e deve ser garantida primordialmente por você, e não por terceiros. Utilizar exchanges como carteiras (wallets) é o mesmo que desconfigurar por completo a premissa descentralizadora do mercado. Sendo assim, o índice de culpabilidade atinge em igual proporção ambas as partes: corretora e investidor.

Através deste pequeno ensaio feito por este escriba que vos fala, deixo-lhes esta reflexão séria e muitas vezes menosprezada sobre a importância de buscarem ter seus fundos o mais próximo possível de suas mãos. Afinal, ninguém ama e protege sua família mais que você; com seu dinheiro, dificilmente esse mesmo raciocínio seria diferente.