Internet: nascida para servir ao Estado e usada para derrubá-lo através do Bitcoin

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Falando sobre a relação entre o Estado e a internet no clássico livro “Redes, liberdades e controla: uma genealogia política da internet”, p. 12, Benjamin Loveluck fala que o desenvolvimento daquilo que viria a ser rede mundial de computadores

“raramente ocorreu em ‘aberto’ e foi, em grande parte, o resultado de um controle autocrático e de uma poderosa vontade política. No entanto, em razão de uma reviravolta que merece ser estudada com maior profundidade, essa tecnologia destinada inicialmente a servir aos interesses do Estado, do seu aparelho tecnocrático e de suas ambições belicosas, acabaram materializando um programa de emancipação e uma alternativa ao poder centralizado“.

Esse trecho do pensamento de Loveluck nos coloca diante de uma ironia muito interessante. A internet nasceu para servir ao modelo estatal-bélico no qual ela nasceu (e nem poderia ser diferente), o que indica que a tecnologia base que possibilitou a existência do Bitcoin nasceu centralizada e para ser centralizada.

A internet se volta contra o Estado

Várias coisas aconteceram a ponto de conduzirem as inovações criadas para servir ao poder central que possibilitou o estabelecimento de redes descentralizadas que desafiam o poder central que trouxe sua existência à luz. É mais uma daquelas histórias onde a criatura se volta contra seu criador. Loveluck diz que “a evolução enveredou por inesperadas vias transversas”, o ponto é que em um segundo momento a rede passou a se apresentar não mais como serva do Estado, mas como “montagem social e tecnológica em que são reconfiguradas com vigor as interações humanas, a constituição das identidades, o sistema econômico, as possibilidades políticas – ou, de maneira mais sucinta, o poder de ação das sociedades sobre si mesmas”.

Ou seja, houve um desenvolvimento de uma rede para servir a propósitos mais estreitos que terminou servindo a propósitos mais amplos.

A Internet possibilitou a existência do Bitcoin

Como ápice desse processo de possibilitar a existência de algo contra a vontade de seu criador no ponto da internet, surge o Bitcoin. A última coisa que um poder central desenvolvendo uma “rede” gostaria e criar seria uma forma de descentralizar o poder naquele ponto que é o mais fundamental de todos, o dinheiro/valor. Aquilo que nos capacita a fazer transações entre nós. O poder por detrás do dinheiro é foco de muita cobiça e quem tem esse poder o resguarda de todas as formas possíveis.

É por isso que precisamos falar de uma reviravolta inesperada ao falar do surgimento do Bitcoin. Ele foi o efeito colateral da estrutura da rede, algo que não era esperado e nem desejado, mas foi possibilitado pela infraestrutura financiada pelo próprio poder central.

O Estado vai cair, realmente?

Será mesmo que o Bitcoin derrubará o Estado? Essa é uma pergunta difícil de responder uma vez que apesar do potencial disso ocorrer existir, é muito difícil imaginar a transição prática nessa direção e todas as suas implicações possíveis. As forças políticas, econômicas e sociais presentes numa situação como essa são bastante amplas e complexas e só o futuro nos dirá exatamente como tudo isso vai se desenrolar. Estamos esperando ansiosamente.

Ezequiel Gomes

Guia do Bitcoin

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