“In God we trust”: ou melhor, no secretário do tesouro norte-americano nós confiamos

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A expressão “In God we trust” (Em Deus nós confiamos) registrada nas notas de dólar chama a atenção de muitas pessoas por diversas razões. Discussões religiosas sobre a existência de Deus e a natureza laica do Estado, por exemplo, são comuns. Mas poucas pessoas parar pra pensar em quem elas realmente confiam quando aceitam dólares em troca de seus bens e serviços.

Niall Ferguson, em seu livro “A ascensão do dinheiro: a história financeira do mundo”, p. 31, diz que

“In God we trust [Em Deus nós confiamos) está escrito nas costas de uma nota de dez dólares, mas a pessoa em quem realmente confiamos, quando aceitamos uma dessas notas como pagamento, é o sucessor do homem na frente da nota – Alexsander Hamilton, o primeiro secretário do tesouro que, no momento em que escrevo, acontece ser o predecessor de Lloyd Blankfein, como CEO do Goldman Sachs, Henry M. Paulson Jr. Quando um americano troca seus bens ou seu trabalho por um punhado de dólares, ele está essencialmente confiando que Hank Paulson – e por implicação, Ben Bernanke, o presidente do FED [Federal reserve system] – não repetirá o erro da Espanha fabricando tanto dessas notas que elas vão acabar valendo nada mais do que o papel em que foram impressas”.

In God We Trust?

A maioria das pessoas não entende o papel crucial da confiança (fé?) para a função social do dinheiro. A moeda fiduciária é a moeda na qual se deve colocar fé/confiança em função de sua ligação com o emissor “legítimo” que lhe oferece à população a fim de realizar as transações dentro da esfera de sua jurisprudência.

Todo o sistema depende da confiança nesse emissor, especialmente no ponto em que o emissor não caia na besteira de inflacionar todo o sistema desvalorizando o dinheiro a tal ponto que ele venha a valer nada ou no máximo muito pouco, gerando crises e instabilidade.

Apesar da pretensa confiança na divindade exaltada no dólar, a realidade é que a confiança depositada nesse sistema é bem mais humana e bem menos divina, ainda que os homens sempre gostem de legitimar suas próprias decisões com pretensões divinizada.

Em quem realmente confiamos?

A grande verdade é que as pessoas confiam em si mesmas e em seus pares sob a ilusão de que as coisas (nesse caso, o sistema financeiro) obedece uma ordem natural e implantada na realidade por algum agente especialmente poderoso e sábio. Que haja enorme desigualdade e exploração no sistema assim criado não é evidência suficiente para que as pessoas questionem algumas coisas que precisam ser questionadas de forma realmente profunda.

As pessoas confiam no dinheiro como ele funciona atualmente, por que é conveniente para elas assim fazer. De outra forma, imagina o trabalho que elas teriam para repensar o sistema e construir um melhor?

In Bitcoin we trust

O Bitcoin é o resultado da desconfiança. Desconfiança no sistema atual em função dos vários desastres criados por seres humanos que ele nos legou. Em função da absoluta ausência de bom senso e prudência de seus comandantes “centrais”.

O Bitcoin é a descentralização do sistema financeiro, criando um sistema paralelo a esse que e aí está. Baseado em criptografia e no consenso entre os usuários em torno de regras economicamente muito mais saudáveis do que aquelas que regem o sistema atual.

Ezequiel Gomes

Guia do Bitcoin

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