Blockchain ajuda a combater trabalho infantil na África

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Enquanto a maior força do mercado relacionada a tecnologia de blockchain ainda é a valorização das criptomoedas e a possibilidade de investimentos, é preciso lembrar que muito da teoria da blockchain está ligado a ações que podem mudar o mundo e que podem, efetivamente, melhorar a vida das pessoas. 

A blockchain e as suas capacidades de transparência e proteção contra fraudes, demonstram uma incrível habilidade de encarar alguns problemas que podem ser difíceis de serem resolvidos contando apenas com o envolvimento humano. Um dos últimos exemplos relacionados a esse potencial é a união da Ford, IBM e LG para combater a escravidão infantil em minas de cobalto na África.

As três multinacionais e a chinesa Huayou estão usando a tecnologia de blockchain para rastrear cobalto minerado na República Democrática do Congo. O cobalto é rastreado ao longo da cadeia de suprimento para produção de baterias para celulares, dispositivos eletrônicos e carros elétricos.

Baterias de Lítio ionizado são encontradas em diversos dispositivos, incluindo iPhones, tablets e notebooks. Isso quer dizer que a popularidade dessas baterias subiu a níveis estelares nos últimos anos. A República do Congo é responsável pela produção de 60% do cobalto utilizado na cadeia de suprimentos global.

Infelizmente, na nação subdesenvolvida da África Central, esse tipo de produção abre espaço para a exploração de trabalho infantil. Por lá, algumas crianças recebem menos de 50 centavos por dia de trabalho e são expostas a toxinas que podem ser letais. A mineração de cobalto também pode poluir o meio ambiente, além de estar ligada com diversas redes de corrupção.

Um dos motivos para tantas coisas ruins estarem ligadas com o cobalto é a falta de controle sobre a mineração da matéria prima. Fiscalização e acompanhamento humano podem ser facilmente forjados e alterados para enganar autoridades e empresas.

As quatro companhias disseram que estão usando a blockchain para monitorar o cobalto que chega às fábricas através de uma base de dados à prova de fraudes. O rastreamento começa desde o ponto onde o mineral é extraído.

Com um controle mais rígido de onde o cobalto é extraído e por quais pontos ele passa, é possível identificar as minerações que utilizam o trabalho infantil e parar de comprar desses locais, o que, supostamente, diminui o lucro dos que estão agindo contra a lei.

A IBM pretende usar o caso como um teste piloto e que no futuro irá implementar a solução para o resto da indústria automotiva e de eletrônicos. O projeto está em execução desde dezembro do ano passado.

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