Africanos estão utilizando blockchain para inclusão financeira

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O presidente da Serra Leoa, Julius Maada quer usar a para fornecer serviços financeiros para milhões de africanos desbancarizados.

Em anúncio recente, na 73ª Sessão da Assembleia Geral da ONU (AGNU), o presidente da Serra Leoa, Julius Maada declarou sua nova meta: criar uma agência nacional de crédito baseada em blockchain. A iniciativa é o resultado de uma colaboração entre a Kiva sem fins lucrativos, o Fundo de Desenvolvimento de Capital das Nações Unidas (UNCDF) e o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP).O objetivo, segundo o anúncio, é incluir financeiramente milhões de africanos que não tem e nunca tiveram acesso aos serviços financeiros dos tradicionais.

De acordo com a base de dados de inclusão financeira do Banco Mundial, em 2017 havia cerca de 1,7 bilhão de adultos não-bancarizados, o que representa cerca de 30% da população mundial. Os motivos das desbancarização são inúmeros: altas taxas cobradas por bancos para pessoas com pouco capital, barreiras de idioma, falta de informações sobre o cliente, que não se qualifica para as práticas de “Know your Client” (KYC), entre outros motivos.

A falta de identificação talvez seja uma das piores barreiras para acesso ao sistema financeiro. Em 2017, o programa “Identificação para o Desenvolvimento” (ID4D) do Banco Mundial revelou que existem mais de 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo sem comprovação de identidade e estima-se que 500 milhões delas vivam na subsaariana.

Sem identificação pessoal, as pessoas são excluídas das atividades financeiras fornecidas pelos bancos (por exemplo, ter uma conta bancária, obter crédito, etc). E é exatamente aqui que a blockchain pode revolucionar o sistema financeiro. Na blockchain, os indivíduos podem receber uma identidade digital para uso em seus serviços bancários – a única coisa que elas precisam, é de um smartphone.

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Soluções para Serra Leoa

O banco nacional de crédito de Serra Leoa quer usar a blockchain para lidar, tanto com o problema da identificação das pessoas, como com o acesso ao crédito. O sistema será baseado no Protocolo Kiva, um sistema usado para criar uma base nacional de identificação digital usando tecnologias  de registro distribuído (DLT).

Protocolo Kiva

O sistema funcionará da seguinte forma: assim que um empréstimo for solicitado, ele passará por  um processo de aprovação (que utiliza a chamada “subscrição social”, em que a confiabilidade é determinada por amigos e parentes que emprestam uma parte da solicitação de empréstimo ou por um “administrador aprovado”). Após a aprovação, o mutuário lança em sua carteira a transação, que será imutável e estará sobre o controle do usuário. Segundo o FAQ da Kiva:

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   “Este procedimento permite que todos os eventos de crédito sejam capturados em um único lugar, com acesso à carteira digital controlada pelo indivíduo. Por exemplo, se alguém verificou histórico de crédito com um credor local ou com o Field Partner e deseja solicitar um empréstimo de um banco nacional, ele pode conceder a ele acesso único ao seu histórico de crédito. No entanto, nenhuma instituição ou o governo pode acessar as informações sem o proprietário aprovar. O sistema também tem um custo muito baixo para operar, eliminando o tipo de taxas que podem impedir que pessoas ou instituições usem outros relatórios de crédito ”.

Outras Soluções

Startups como a Humaniq, estão desenvolvendo sistemas que usem a blockchain junto com um sistema de identificação facial e de voz como um método de autorização para pessoas sem identificação oficial. A solução  também cria um ambiente semelhante a um banco dentro do smartphone. A solução está disponível vários países africanos, incluindo o Quênia, a República da Costa do Marfim, o Botsuana e o Gana.

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 A startup Bloom está buscando contornar o problema do acesso ao sistema do crédito com a blockchain. Tendo baixa ou nenhuma renda comprovada, as instituições financeiras consideram essa população de alto risco e não concedem créditos ou concedem com taxas exorbitantes para compensar o risco. Utilizando a blockchain, todas as partes podem acessar o valor do crédito e o histórico do cliente antes de emitir uma dívida, reduzindo o atrito e aumentando a transparência do procedimento. Em entrevista a Forbes, co-fundador da startup cita os benefícios do uso da blockchain: 

“Ao desintermediatar intermediários, que não são mais necessários para estabelecer confiança, o blockchain elimina o inchaço e a busca de aluguel. Resolvendo a confiança sem a centralização, as organizações descentralizadas são capazes de prosperar em uma escala nunca antes possível ”.