Apesar de falhas, plataforma Ethereum atrai cada vez mais investidores

Com um crescente valor de mercado e uma gama de apoiadores famosos, a Ethereum vem se tornando, nos últimos meses, a próxima sensação no setor de moedas virtuais.

A Ethereum é uma plataforma de software aberta composta por uma moeda chamada , um livro-caixa público, ou “blockchain”, para registrar as transações e ferramentas para a construção dos chamados contratos inteligentes, que realizam pagamentos automaticamente quando seus termos são cumpridos. Qualquer um pode desenvolver novos aplicativos usando o código da plataforma.

De um modo mais ambicioso, os inventores e usuários da moeda estão se revoltando contra a crescente centralização da internet em grandes empresas, como o Google e o Facebook, e criando estruturas financeiras que podem operar sozinhas.

Mas, como aconteceu com sua prima mais velha, a , a Ethereum está sujeita a ondas de especulação, escândalos e dúvidas sobre sua capacidade de chegar a ser algo mais que um projeto de nicho para desenvolvedores.

Na sexta-feira, uma “startup” chamada DAO, criada para financiar projetos da Ethereum, informou que foi roubada em cerca de US$ 55 milhões da moeda virtual quando um hacker reescreveu parte do código da startup e transferiu o dinheiro para uma conta privada. A cotação da Ethereum caiu cerca de 43% desde que o ataque foi revelado.

O valor da Ethereum havia saltado de cerca de US$ 0,70 em janeiro para mais de US$ 21 na sexta-feira. Depois das sobre a invasão, a moeda teve forte queda e era negociada em torno de US$ 12,30 ontem, segundo a bolsa de moedas virtuais Kraken. A bitcoin, por outro lado, subiu cerca de 60% neste ano.

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Para muitos, o mundo das moedas criptografadas é um nicho opaco ou um modismo de . Mas a tecnologia em que essas moedas se baseiam — livros-caixa de transações abertos e imutáveis — pode transformar muitas formas de comércio para milhões de pessoas, especialmente nos setores financeiro e bancário.

A Ethereum explora o entusiasmo por essa tecnologia, ao tomar a rede descentralizada que sustenta a bitcoin e redirecioná-la para um uso mais amplo. A moeda funciona como um serviço de armazenamento de dados e hospedagem na internet, mas sem ser operado por uma única empresa, como o Amazon Web Services.

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Imagem: reprodução

Em vez disso, os serviços da Ethereum operam numa rede descentralizada de computadores interconectados e distantes. A Microsoft Corp. deu um grande impulso à plataforma em outubro, quando integrou a Ethereum a seu produto de serviços para empresas, o Azure.

Presumindo que os problemas de segurança cibernética da nova tecnologia podem ser resolvidos, os benefícios da Ethereum podem incluir baixo custo, maior transparência e menos controle de governos ou de poderosas empresas privadas.

A Ethereum é uma criação de Vitalik Buterin, um russo-canadense de 22 anos que a inventou em 2013. Na época, o jovem cientista da computação havia abandonado a Universidade de Waterloo, na província canadense de Ontário, para ajudar a fundar a publicação “Bitcoin Magazine”.

O valor dos ativos financeiros de Buterin, cerca de 530 mil moedas “ether”, caiu de US$ 11 milhões antes do ataque da semana passada para em torno de US$ 6,4 milhões ontem.

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Agora, ele está tentando restaurar a confiança, ressaltando que o hacker não atingiu a rede Ethereum diretamente, mas uma empresa dedicada a financiar projetos com ela. “O protocolo Ethereum está 100%” em ordem, disse ele num e-mail enviado na segunda-feira, embora reconhecesse que o incidente destaca os desafios ainda existentes para a construção de “padrões e ferramentas de nível mais alto” que tornem a plataforma segura.

Se a Ethereum irá superar a bitcoin um dia é tema de debate no mundo da tecnologia. Embora as duas moedas operem em redes de computadores descentralizadas, a bitcoin é desenhada com um objetivo: transações em dinheiro. A Ethereum foi criada para facilitar uma grande variedade de transações e contratos, de assistência médica até publicidade e viagens.

 

Imagem: Cointelegraph.es

A bitcoin e a Ethereum têm funções diferentes, diz Tyler Winklevoss, gerente de uma bolsa de moedas digitais, a Gemini, que negocia as duas moedas.

“Vemos a bitcoin como uma [versão] melhor do ”, diz ele.

“Vemos a Ethereum como o maior computador virtual do mundo.”

Winklevoss e seu irmão Cameron — que ficaram famosos pela disputa com Mark Zuckerberg sobre a propriedade intelectual do Facebook — sempre foram defensores da bitcoin, que alguns consideram uma proteção contra a instabilidade financeira global. Os irmãos começaram a comprar a Ethereum neste ano.

Os tecnólogos consideram a Ethereum e outros projetos de “blockchains” mais transparentes, eficientes e seguros que as plataformas on-line existentes, enquanto críticos dizem que a tecnologia ainda não foi testada na sua maior parte e ainda tem um longo caminho antes de ser adotada amplamente.

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Desde sua criação, a Ethereum tem atraído o interesse de empresas e investidores, entre eles a Microsoft, a Deloitte LLP e a cantora britânica Imogen Heap.

A DAO, sigla em inglês para Organização Autônoma Descentralizada, foi montada para ser um tipo de fundo de de risco para startups baseadas na Ethereum. Em maio, ela captou mais de US$ 150 milhões através de financiamento coletivo. A ideia era emitir “fichas” da para os investidores, as quais permitiriam que eles votassem nas startups candidatas a receber financiamentos.

Na sexta-feira, um invasor não identificado aproveitou um bug no código aberto da DAO e conseguiu transferir cerca de US$ 55 milhões de ether para uma conta privada. Cerca de uma hora depois, a cotação das fichas da DAO despencou mais de 60%, levando a ether com elas. O fundo agora planeja “erradicar” as transações ruins atualizando o seu código, devolver o dinheiro aos acionistas e fechar as portas.

Via: The Wall Street Journal

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